Thursday, 6 December 2012

O que vêem aqueles que não crêem?

Nos ternos bem ajustados, falácias. Nas reticências, um ponto final. Acenos, gestos, egos. O repetir-se. Quem dera o retorno não fosse eterno! Mas assim o é. Há neblinas, gravatas etc. Qual é a sua graça? Uma pergunta não muito importante desde que você tenha posses - aquilo que te possui e não aquilo que você é. O dever ser e, desse modo, substituído pelo dever ter. Ter ou não ter, eis - imposta - a questão. Onde vamos parar?, perguntaria algum crítico. Por acaso já não estaríamos parados?, responderia algum cínico.

Thursday, 8 November 2012

Semiótica do amor

Na calada, o frio. Há pedaços de mim que clamam. Em uma viela, o encontro com o acaso. Na confusão das línguas é possível encontrar calor. Envoltos no caos linguístico, a paixão toma forma, apesar dos ventos contrários. Alienados, na calada, mudam-se para a pátria nascente da ordem e do progresso. A revolução do proletariado é ínfima quando equiparada ao amor pequeno-burguês.

Friday, 26 October 2012

Seria o processo de adaptação uma forma sutil de resignar-se?

Tuesday, 16 October 2012

Fragmentos, protestos e protestantes

A experiência é uma ferida que custa cicatrizar. No corpo, o silêncio é grafado com as marcas do tempo. Rugosidades denunciam a arte do contemplar. Nos lapsos de memória, vem-me a lembrança: antes de encontrar-te, deixaram que eu me carregasse em duas partes. 32kg de mim, somando-se 64 quilos, e um deserto azul a ser atravessado. Não pude levar todos os meus pertences, aprendi desde cedo a pouco protestar. Destino?, perguntaram-me em um inglês anti-estrangeiro. Como explicaria o que seria o meu destino a um provável protestante se eu mesmo não saberia onde aquilo ia parar? Na mão suada, um carimbo que tinha custado meses da minha existência. Sorri um riso dissonante e, ao sair dali, segui as placas que indicavam o caminho que eu deveria seguir. Qual seria o melhor? Era apenas o começo.  

Friday, 14 September 2012

Você conhece o silêncio?

O homem sem ilusão é aquele que, tal qual o palhaço que não ri, não encontra fundamento na própria arte que exerce. Não é mais surpreendido por defunto autores ou autores defuntos. É quieto, uma vez que a sua antiga inquietude já havia ocupado lugar demasiado quando ainda jovem. Não é imortal, mas também não tem idade. Algo de mistério circunda-o. É impaciente demais para tagarelar com os camaradas que pretendem mudar o mundo com goles de cerveja e alguma medicina natural no bolso - esta servirá para acalmar os ânimos na melancolia do dia posterior. Isso, já não mais compartilha desses "ismos" que cabem num bolso de tão pequenos quando equiparados à totalidade.  Desconfia que há algo mais. Deixa-se levar pela simplicidade das coisas que considera de maior valia e tenta não mais se enganar por objetos que reluzem - tal qual profanos, quando ludibriados pela racionalidade, o fazem. Em meio ao escombros, ainda há fôlego, mas pouco se tem dito. Maldito hábito de tagarelar. A água do rio corre, mas se não houver o sacro silêncio, como irás, profano ser, tudo isso aproveitar?

Friday, 24 August 2012

Trechos de uma vida a dois

          O fato que será descrito é verídico e foi narrado por uma testemunha ocular que pelas circunstâncias atuais - às vésperas das eleições dos municípios - prefere não se identificar. Aconteceu há mais de um ano, abaixo do Trópico de Capricórnio, quando o sol estava prestes a fazer seu sacrifício diário: ajoelhar-se perante à lua. Pela meia dúzia de pessoas que podiam ser vistas caminhando nas ruas, podia-se dizer que fazia frio ou era domingo. Às margens da Av. Beiramar, um casal andava de mão dadas enquanto tantos outros casais desatavam as mãos. Fazia frio e era domingo, antes que o leitor se pergunte qual relevância isso teria na narração dos acontecimentos.

          Um casal andava de mãos dadas, apesar de todas as intempéries do trópico, do sol, do frio e da vida. Entregues à luz solar, eles seguiam o curso natural da vida: nascer, reproduzir e morrer. Exilados do ventre materno, aprenderam a tríplice idéia que lhes fora forçada a engolir junto com as demais refeições diárias e algum óleo de fígado de bacalhau. Andavam com a naturalidade que também foram forçados a aprender. - O que seria da humanidade se não existisse a barbárie? Em meio à todo silêncio, sempre há espaço para alguma pergunta ensurdecedora...

          Sentaram-se. Ambos. Parecia que o mundo acabava ali. Acomodaram-se num banco de madeira meio surrada, provavelmente feito por mãos sofridas e também surradas. Estavam confortavelmente acomodados e sabiam que pouca coisa fora daquele metro quadrado - o banco de madeira, as mãos, as mães etc - poderia ser modificada. Estava frio e era necessário um mate. Em frente ao mirante da Av. Beiramar, o casal não se importava muito com o que acontecia ao seu redor a não ser o conforto do banco, o mate quente e os beijos molhados.

          Tudo transcorria bem. Parece-me, no entanto, que certos casais têm uma certa tendência à catástrofe. Podem, assim, despertar a ira de certos deuses em momentos inoportunos. Sentados naquele surrado banco, acompanhados de um bom chimarrão, o casal começou a relembrar do passado, das pretéritas experiências românticas, uma forma covarde de invocar o deus Khronos. Seria relembrar o passado o maior ato de desespero? Lembremos do presente...

         E essa história termina aqui. Pelo menos esse trecho. Os beijos e as trocas de carícias do casal foram interrompidas pelo castigo divino. Dizem que houve, entre eles, alguma desavença. Vá saber! Sobre o casal, aliás, nada mais sei. Fim.

Monday, 23 July 2012

Being blue

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I have got a power. At least I can feel it. As if...! It drives me crazy. I drive. I, crazy. An electronic music goes deep into my mechanical feelings. No thoughts at all. I love, I hate, I might have... Been mistaken, which doesn´t make much difference, even though I have no (the F word) clue. I might be blue. What are colors but a perception? In this colorful world, the Infinite ends up laughing at us and our finite sensation of being powerful - We´ve forgotten our human condition. 
















* Picture from "The fountain".