Monday, 15 July 2013

Conflitos

O tempo, eis aquilo que instiga a mente a ter conflitos. O passado, com suas boas e más memórias, prejudica - assim como o pensar incessantemente sobre o futuro longínquo - o viver no presente. O que restaria? Habitar o agora, nem aceitando-o nem se rebelando contra ele. O perceber exige atenção. Pare, respire. Mude a pergunta, mas também não se deixe assombrar pela resposta que poderá aparecer: E se tudo fosse um grande Nada, o que restaria? Liberdade?

Sunday, 30 June 2013

Alguns pingos no i´s

Às cegas, mergulho num imenso vazio. Sinto-me bem ao constatar que sou (um) estranho às questões que não quero participar. Calafrios, medos e esse tipo de sentimento que nos dá mais ânimo para seguir, mesmo que tudo isso seja um emaranhado de acontecimentos - aparentemente? - desconectados, é o que tem me guiado. Libertar-se...

Monday, 20 May 2013

Sem título

À amada!

Entre essas indelicadezas, há um mar de felicidade. Há uma porta que ruma para o eterno, de braços dados - assim se percebe - com amor. Amo-te e sou fragmentado assim mesmo: apresento-me em pedaços para me libertar, quando ao teu lado, e me tornar o todo... seu. Como Julieta, a rainha de Romeu. Perco-me, escrevo e pouco falo. Desconfio que me expresso melhor quando te beijo. Com isso, dispensa-se o uso de qualquer dicionário. Eu, que um dia (tolamente) pensei ser intraduzível, me traduzo no instante em que me aproximo de você. Aqui, a filosofia se despede,  despe-se e mergulha dentro de ti. Não há mais questões, assim como inexiste – na mesma medida - as certezas. Somente nós.  

Friday, 26 April 2013

Fragmentos de uma autobiografia

Qual é a sua profissão?, perguntou-me um rapaz ao meu lado. Pensei em começar com um clássico ‘’então...’’ Hesitei, no entanto. O que falar? Esse pensamento me assombrou como nunca. Estava sentado em um ônibus que ia em direção à Liberdade, bairro japonês de São Paulo. A lotação máxima era de 70 pessoas sentadas – eu, felizmente, era um deles – e 40 em pé. Não seria irônico demais em falar felizmente se eu me encontrava em um ônibus com 120 pessoas, portanto lotadíssimo, e que tinha como destino a Liberdade? Liberdade? Na minha juventude, imaginava a liberdade de outra forma, mas, como sabem, as coisas mudam com o passar dor anos... 

O rapaz que havia me feito a pergunta certamente já havia perdido o interesse em mim. ‘’Pela demora em responder, deve ser mais um das humanas, quem sabe filósofo.’’ É o que ele provavelmente pensou. Nestas horas é que gostaria de ser um narrador daqueles que tudo sabe. O que será que o rapaz realmente pensou?, meditei. Talvez ele tenha razão e eu seja, em certa medida, um filósofo. Se o fosse, contudo, era somente aos finais de semana, quando mais conseguia descansar. Mas afinal, por que o rapaz se interessaria por mim? Estaria ele fingindo? Faria isso parte do jogo social? Eu jogo, tu jogas. E se acreditarmos que haja um vencedor, quem ganharia nesse jogo? 

Acreditar, eis um verbo que já não mais ouso evocar. Se eu realmente for um filósofo, não sou daqueles que crêem em sistemas filosóficos. Não seria muita pretensão querer dar conta de responder as perguntas sobre tudo? Se tiver que jogar e o rapaz me perguntar - temos, pelo menos secretamente, tantos anseios... – se acredito em algo, direi, sem titubear, que acredito no Nada, a supremacia da nossa barbárie civilizada. Mas, para minha surpresa, o rapaz não me pergunta. Continua esperando uma simples resposta que me fez há poucos segundos. Para mim, eternos segundos. Eu não estaria titubeando demasiadamente e, por isso, não pude até agora respondê-lo? Simples perguntas... E se eu lhe dissesse que estou velho, há muito aposentado, e que agora estava à caminho do meu médico para fazer um exame de rotina (leia-se: próstata). 

Se um dia fosse escrever a minha autobiografia, diria que minhas idas ao médico foram ocasionadas pelo o inflacionado tomate. Mas quem leria a minha autobiografia? Houve um tempo em que se falava em pobreza de espírito, mas agora, não raro, fala-se de pobreza de experiência. Quem irá convencer aqueles que têm dificuldades em cortar o umbigo umbilical – hoje, em sua maioria, essas pessoas geralmente coincidem com os acadêmicos – de que há muita vida além daquela realidade simbolizada pelos míopes do intelecto? 

Convenci-me, no entanto, que a memória é, como disse Wally Salomão, uma ilha de edição... Assim, escrever a sua própria autobiografia seria algo tão utópico – sem falar na pobreza de espírito e de pobreza – e, de certa forma, tão violento. Escrever sobre si é um ato de violência, como aprendi. Tentar escrever sobre a sua própria vida é violentar essa Ilha que W. Salomão poeticamente nos mostra. Ainda, será preciso se perguntar: depois de todo esse trabalho, quem a leria? Se há um livro que pede para ser escrito dentro de cada ser, quantos outros são abortados no meio do caminho? Quantos fragmentos, quantos aforismas? 

Depois de tanta relutância – simples perguntas... – finalmente respondi ao rapaz: sou funcionário público aposentado. Fez-se uma pausa. Silêncio. Olhei para o lado de fora da janela. Milhares de pessoas. Livros abortados... Quando virei, o rapaz já não mais estava ao meu lado. Partiu sem um adeus. Levantei e perguntei ao cobrador se a Liberdade estava próxima, afinal notara que estava no final da Av. Paulista, portanto no Paraíso, próximo da Catedral Ortodoxa. Eu estava certo e desta vez a minha memória não havia me enganado: mais alguns pontos de ônibus e lá estava, depois do Paraíso, a Liberdade.   

(23.04.13)

Saturday, 23 March 2013

partículas do ser

Felicidade, um desejo inconsciente, pode existir. É parte do amor, fragmentos do ser, e das vivências referentes ao ter: experiências de sobra, apesar da idade. Eu te amo. Falo pouco, eu sei, mas eu te amo.

Sunday, 3 March 2013

The silence´s color

How...? Keep an eye on the facts, someone is coming. How come? Things can´t always be understood in a simple way. Concepts are just random names which make us unaware of life itself. What is, then, a self? Selfishness leads us to nothingness: a future has to be planned properly otherwise, the sages say, you will amount in nothing. Is the present a gap between the past and the future? Have you ever experienced this feeling of an eternal speechless? The audience is sat, but there aren´t enough words to comfort them. It is necessary to take a deep breath, be strong and say out loud: You are, in part, free to do what you want so don´t wait for the messiah, you´ve wasted your time, I have nothing to say, only silence...

Friday, 1 March 2013

Circe

''(....)

What seem to you like minutes in my world are endless days
Ride my waves of pleasure
Forever … and ever ... and ever ... and ever

Your human hands like magic to my coral strands
As our bodies melt into the sands of the ocean floor
I'm deep in your love … into your love … into your love
But wait,
My seduction, has now become a dangerous attraction
I can't breathe
I … I can't breathe
I'm drowning in your love … drowning … drowning
Drowning in your love … drowning … drowning
I'm drowning in your love

Save me
I can't breathe
I … I can't breathe

I got to save myself
I'm losing myself in your … love
I'm pleading with the gods to save me
I've pleasured all of you so many times
One of you please save me!
I am … drowning

Who? ... who?
Who are you?
And … and why are you saving me?

(....)''


Songwriter: Ursula Rucker